Seca põe milhões de somalis em risco de fome
A Somália está à beira de uma crise humanitária cada vez mais profunda, com cerca de 6,5 milhões[1] de pessoas enfrentando insegurança alimentar aguda, enquanto a seca prolongada devasta os meios de subsistência em todo o país.
Após duas temporadas consecutivas sem chuvas, o temor de cair de novo aos níveis catastróficos de fome vistos em 2022 é grande.
O pastoreio é a espinha dorsal da economia somali e sustenta mais de 60% da população. Agora está entrando em colapso devido ao peso de repetidos choques climáticos. Grande parte do gado está morrendo, o que priva famílias de fontes de renda e de alimento e força milhares de pessoas a buscarem refúgio em campos improvisados para deslocados.
Em Dhusamareb, o pastor Abdulkadir Mohamed Farah, de 61 anos, observa o horizonte com crescente apreensão. Em menos de um ano, ele perdeu 90% das suas cabras e mais de dois terços dos seus camelos.
“Perdi os meus animais, tanto camelos quanto cabras. Agora o nosso medo é que as pessoas também morram”, conta. “Os animais estão morrendo. Eles não têm nada para comer. Eu tinha 500 cabras, só sobraram 50. Eu tinha 70 camelos, só sobraram 20.”
Para as comunidades pastoris, a morte dos animais não significa apenas a perda de renda, mas sim o colapso de todo o seu modo de vida, muitas vezes forçando-as a deixar as áreas rurais em busca de ajuda.
Perto de Dangoroyo, na região de Nugal, no norte do país, Maymun Ali Mohamed, de 19 anos, acaba de chegar a um assentamento para pessoas deslocadas internamente. Após a morte dos seus animais, ela fugiu com os dois filhos pequenos para o campo em busca de refúgio.
“Quando vi os animais morrendo, decidi ir embora e ficar com uns familiares. Disse a mim mesma que os meus filhos pequenos não podiam morrer”, conta Maymun.
O deslocamento está aumentando na Somália. Em 2025, mais de meio milhão de pessoas tiveram que deixar as suas casas em decorrência dos efeitos combinados do conflito e da seca, que tornaram as comunidades já frágeis ainda mais vulneráveis.
“Os combates causaram deslocamento. A seca causou deslocamento. A situação ficará desesperadora se as chuvas não chegarem logo”, afirmou Mohamed Sheikh, que supervisiona as operações do CICV na região de Galmudug.
Ao mesmo tempo, o financiamento humanitário para a Somália diminuiu drasticamente, obrigando muitas organizações a encerrarem programas, limitando a assistência alimentar e hídrica, o apoio à saúde e aos meios de subsistência, mesmo com as necessidades aumentando acentuadamente.
Sem chuvas urgentes e um aumento significativo da resposta humanitária, milhões de pessoas podem cair ainda mais em níveis de fome emergencial.
Resposta do CICV de novembro de 2025 até o momento:
- Mais de cinco mil famílias deslocadas pelo conflito armado nas colinas de Al-Miskat, na região de Bari, em Puntland, que também foram gravemente afetadas pela seca, receberam US$ 120 cada para ajudar a suprir as suas necessidades básicas.
- Comunidades em áreas afetadas pela seca em Bari e Sanaag obtiveram acesso à água após a reabilitação de cinco poços artesianos.
- Equipamentos eletromecânicos adequados para a reabilitação de cinco poços artesianos (unidades de bombeamento, painéis de controle, geradores, tubos e cabos, entre outros) foram doados à Agência de Desenvolvimento de Água de Puntland (PWDA).
- Crianças menores de cinco anos com desnutrição grave e complicações médicas recebem cuidados que salvam vidas no centro de estabilização administrado pelo CICV no Hospital Geral de Kismayo, enquanto comunidades em todo o país têm acesso a serviços nutricionais em 11 clínicas do Crescente Vermelho Somali.
Mais informações:
Abdikarim Mohamed, CICV Somália, tel: +254 770 171 756, mabdikarim@icrc.org
Mateo Jaramillo, CICV Nairobi, tel : +254 716 897 265, mjaramillo@icrc.org
LISTA DE TOMADAS
Duração: 05:02
Lugar: Somália
Data da filmagem: Fevereiro de 2026
Direitos autorais: CICV tem acesso a todos
Crédito na tela: CICV escrito ou logo
Emergência pela seca
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Diversas imagens de carcaças de animais
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Diversas imagens de cabras
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Diversas imagens de camelos
Frase de impacto: Abdulkadir Mohamed Farah, 61 anos, morador de Ilix, Dhusamareb, região de Galmudug.
00:01:21 – 00:01:51
Estamos enfrentando a falta de chuva. Perdi os meus animais, tanto camelos quanto cabras. Agora o medo que as pessoas também morram. Os animais estão morrendo. Eles não têm nada para comer. Para dar um exemplo, eu tinha 500 cabras, só restam 50. Eu tinha 70 camelos, só sobraram 20. Estes são os que restaram. Há um aqui.
00:01:52 – 00:02:24
Diversas imagens de propriedades rurais
00:02:25 – 00:02:39
Diversas imagens de uma mãe e filho
Frase de impacto: Maymun Ali Mohamed, 19 anos, deslocada interna que vive em um assentamento nos arredores de Dangoyo, região de Nugaal.
00:02:40 – 00:03:23
Quando vi os animais morrendo e sofrendo, pensei que precisava me juntar a outras pessoas, ficar com uns familiares. Se você não tem nada para cozinhar para os filhos à noite, os vizinhos podem ajudar. Você pode conseguir uma xícara de arroz para preparar para eles. Quando vi os animais morrendo, decidi ir embora e ficar com uns familiares. Eu não tinha um reservatório de água, outros armazenavam água, e pensei que os meus filhos pequenos não podiam morrer. Pensei que eles poderiam pegar água dos reservatórios dos vizinhos, foi aí que soube que precisava me mudar. Os poucos animais também podem beber água dos reservatórios na comunidade do campo. Foi então que decidi e vim para cá.
00:03:24 – 00:03:34
Diversas imagens de cabras recebendo água
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Diversas imagens de camelos sendo alimentados
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Diversas imagens de pessoas tirando leite de camelas
00:04:38 – 00:05:02
Frase de impacto: Mohamed Sheikh, chefe do escritório do CICV em Dhusamareb:
Os combates causaram deslocamentos. A seca também está causando deslocamentos. Muitas pessoas deslocadas estão se mudando para as grandes cidades e para áreas onde possam encontrar água. De modo geral, as necessidades estão aumentando e a situação se tornará desesperadora se as chuvas não chegarem em breve.
FIM