10-08-2020 | Latest News , The Americas

Brasil: profissionais essenciais enfrentam riscos diante da Covid-19

Além de ser o segundo país no mundo em número de contaminados e de óbitos por Covid-19, ultrapassando 100 mil mortes, o Brasil também é um país com elevados casos de profissionais de serviços essenciais afetados pelo novo coronavírus. Com o objetivo de combater a estigmatização e fomentar o respeito e o apoio àqueles que estão na linha de frente no combate à pandemia, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) criou a campanha “Valorize o Essencial”.


“A gente passou por um momento de pânico e teve, no início, a gente sofreu um certo preconceito e aquelas agressões em metrô, ônibus e tudo mais”, conta a enfermeira Natália Mercúrio, de São Paulo. “Ser profissional e estar na linha de frente a gente encara muitas das vezes com temor. Mas a necessidade da ajuda, do juramento, do compromisso, ela se torna muito maior. Quando o profissional de saúde sai de casa, sai com o objetivo de se cuidar, de se prevenir, para que nós possamos voltar para o nosso leito familiar, mas ao mesmo tempo, com muito temor, de ser um portador são e levar essa doença para dentro da sua casa”, relata Hilton Ribeiro, vice-diretor do hospital Moacyr do Carmo em Duque de Caxias (RJ).


Em seu dia a dia de trabalho desde o início da pandemia, os profissionais estão expostos a alto risco de contaminação. Dados do Ministério da Saúde, publicados no boletim de 6 de agosto sobre a COVID-19, mostram que 232.992 profissionais de saúde foram diagnosticados com coronavirus. Desses, 196 morreram oficialmente por Covid-19 e outros casos estão sendo investigados. Mas o número pode ser ainda maior. Segundo o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), o total de casos confirmados entre profissionais da categoria é de 32.279 e o número de óbitos chega a 334 apenas entre profissionais de enfermagem.


Credibilidade


Segundo pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada em julho, os médicos os profissionais de maior credibilidade no Brasil em 2020, com 35% de confiança da população. A mesma pesquisa mostra que, embora 51% dos brasileiros acreditem que o trabalho do médico tem recebido a valorização merecida, a população avalia as condições de trabalho oferecidas aos médicos como regulares, ruins ou péssimas.


“O medo que a gente tinha era de realmente não conseguir dar o nosso melhor para os pacientes, porque realmente era um número absurdo de pessoas que estavam em situações críticas, precisando de respiradores, pessoas que precisavam de oxigênio e a gente não tinha como dar suporte para todas aquelas pessoas que estavam necessitando do nosso auxílio e a gente tentando fazer o nosso melhor”, afirma o médico Sérgio Simões, da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Yolanda Queiroz de Fortaleza (CE).


“Sabemos que a situação já não era fácil antes da pandemia. Mas agora tornou-se mais preocupante e pensando nisso, criamos a campanha ‘Valorize o Essencial’ ", explica a responsável técnica do programa Acesso Mais Seguro para Serviços Públicos Essenciais da Delegação Regional do CICV no Brasil, Lívia Schunk.


A campanha “Valorize o Essencial” tem duas vertentes. A primeira é dirigida aos profissionais e gestores desses serviços, em especial em contextos afetados pela violência, que são parceiros do CICV, e traz dicas práticas de autocuidado e gestão do estresse. A segunda é voltada à população em geral e busca fomentar a empatia para com esses
profissionais, promovendo o apoio às equipes dos serviços essenciais por meio de histórias depoimentos. Mais informações no site oficial da campanha: www.valorizeoessencial.com.br

Para mais informações e pedidos de entrevista
Diogo Alcântara, CICV Brasília, (61) 98248-7600, dalcantara@icrc.org 
Sandra Lefcovich, CICV Brasília, (61) 98175-1599, slefcovich@icrc.org 
WhatsApp (Inscreva-se para receber avisos de pauta!): https://whats.link/cicvbrasil 


SHOTLIST
Locações: Fortaleza (CE), Duque de Caxias (RJ) e São Paulo (SP), Brasil
Duração: 10’19”
Produtor/Câmera: Camila Almeida (em Fortaleza), Guillermo Planel (em Duque de Caxias) e Tiago Queiroz (em São Paulo)
Edição: Realejo Filmes
Data das filmagens: 1.06.2020 (Hospital de Campanha do Anhembi – São Paulo), 17.06.2020 (Instituto de Infectologia Emílio Ribas – São Paulo), 24.06.2020 (Instituto de Infectologia Emílio Ribas – São Paulo), 26.06.2020 (Unidade de Saúde Básica Sarapuí – Duque de Caxias), 2.07.2020 (Unidade de Pronto Atendimento Yolanda Queiroz - Fortaleza) e 2.07.2020 (Instituto Dr. José Frota - Fortaleza).
Direito autoral: CICV
Crédito a ser usado em tela: Comitê Internacional da Cruz Vermelha, CICV ou logo CICV


TIME CODE LOCAÇÃO / IMAGENS / TRANSCRIÇÕES
0:00 - 0:04 Entrada da Unidade de Pronto Atendimento Yolanda Queiroz, em Fortaleza.


0:05 - 0:07 Médico Sérgio Simões analisa radiografias.


0:08 -0:12 Médico Sérgio Simões anda pelos corredores da Unidade de Pronto Atendimento Yolanda Queiroz em Fortaleza (Ceará).


0:13 - 0:32 Médico Sérgio Simões atende paciente.


0:33 - 1:37 Sonora de Sérgio Simões:
“Tinham pessoas que estava lúcidas, entendendo que estavam morrendo e que a gente infelizmente não tinha o que fazer. A gente ligava para o Samu e o Samu dizia: “olha, nós não temos para onde levar essa pessoa, não tem nenhum outro respirador na nossa cidade disponível”. E a gente também não tinha e realmente não tinha o que fazer por aquela pessoa além de medidas para conforto. A gente já vinha para o plantão um pouco triste por que a gente sabia que a gente ia tomar decisões difíceis. A gente ia ver situações horríveis. Mas a gente também ia com a esperança de fazer o nosso melhor pelo paciente. Se a gente conseguisse salvar uma pessoa, ja teria feito o nosso dia. O medo que a gente tinha era de realmente não conseguir dar o nosso melhor para os pacientes, porque realmente era um número absurdo de pessoas que estavam em situações críticas, precisando de respiradores, pessoas que precisavam de oxigênio e a gente não tinha como dar suporte para todas aquelas pessoas que estavam necessitando do nosso auxílio e a gente tentando fazer o nosso melhor. A parte psicológica de todo mundo foi alterada. Tenho vários colegas que começaram tratamento com psiquiatra, ou psicólogo também. Eu já tinha ansiedade e tive que procurar a psiquiatra para aumentar a dose de remédios por que realmente foi bastante difícil para a gente”


1:38 - 1:45 A assistente social Pamela Santos caminha pelos corredores do Instituto Dr. José Frota, em Fortaleza.


1:45 - 1:51 A assistente social Pamela Santos coloca sua máscara.


1:52 - 1:55 A assistente social Pamela Santos atrás da porta.


1:56 - 2:00 A assistente social Pamela Santos caminha pelos corredores do Instituto Dr. José Frota, em Fortaleza.


2:01 - 3:02 Sonora de Pamela Santos:
“Muitas famílias chegam sem compreender a gravidade também. Porque usar máscara, porque lavar as mãos, porque eu não posso visitar, porque eu não posso acompanhar, porque ele está entubado, porque ele está com respirador. São dúvidas e perguntas diversas sobre a condição do paciente. Então cabe a nós essa sensibilidade da escuta, da família sentir que está sendo acolhida e buscar essa compreensão entre a família e o profissional, e designar também aos demais. Então o assistente social é o profissional da saúde que vai intervir no que de repente não está tão perceptível quando o paciente dar entrada no hospital, porque o paciente não é só o braço fraturado, ou o acidente de moto que chegou no Jornal de Fortaleza, ele não é só a Covid-19. Então como conhecer esse paciente que chegou entubado, que chegou em um respirador, que veio transferido grave de uma Unidade de Pronto Atendimento? A gente tem os instrumentos de trabalho, a gente tem as técnicas de trabalho. E nós nos desenvolvemos juntos dessas famílias de trabalho. ”


3:03 - 3:37 O auxiliar de serviços gerais Francimar Freitas da Silva trabalha nas dependências da Unidade de Pronto Atendimento Yolanda Queiroz.


3:38 - 4:27 Sonora de Francimar Freitas:
“Eu me sinto a certo ponto útil. Porque a gente é o primeiro processo. Tem que fazer primeiro a limpeza, para depois estar apto para os profissionais atuarem em cada setor. E durante essa pandemia foi um período que sobrecarregou todo mundo. E a gente não foi diferente. A demanda de pacientes era muito grande. A gente viu muitas coisas e ficou na história para a gente. Em 42 anos eu nunca tinha passado por uma situação tão constrangedora dessas. É difícil. ”


4:28 - 4:31 A paciente recuperada da Covid-19 Kristiany de Oliveira.


4:32 - 4:35 A paciente Kristiany de Oliveira tira a máscara


4:36 - 4:39 A paciente recuperada da Covid-19 Kristiany de Oliveira


4:40 - 4:46 A paciente Kristiany de Oliveira coloca a máscara


4:47 - 5:18 Sonora de Kristiany de Oliveira:
“Eu tinha certeza absoluta de que eu ia morrer. Porque eu tive várias pioras. É um vírus tão desgraçado que assim, a noite você ta conversando com a pessoa que está do seu lado ali na cama, de manhã você acorda sem respirar de novo. Acho que a palavra mais assertiva nesse momento é desamparo, você olhar assim e dizer: ‘como é que eu venci? ‘. E eu tinha muito medo porque eu sabia que lá em casa todos estavam com Covid-19. Todos eles pegaram. ”


5:19 - 5:27 Fachada da Unidade de Saúde Básica Sarapuí, em Duque de Caxias.


5:28 - 5:33 O médico vice-diretor da Unidade de Saúde Básica Sarapuí, Hilton Ribeiro, coloca sua máscara.


5:34 - 5:36 O médico Hilton Ribeiro assina documentos


5:37 - 5:41 Documentos sobre a mesa de Hilton Ribeiro


5:42 - 6:26 Sonora de Hilton Ribeiro:
“Ser profissional e estar na linha de frente, a gente encara muitas das vezes com o temor. Mas a necessidade da ajuda, do juramento, do compromisso, ele se torna muito maior, quando a gente profissional de saúde sai de casa, a gente sai com o objetivo de se cuidar, de se prevenir, para que nós possamos voltar para o nosso leito familiar, mas ao mesmo tempo, com muito temor, de você ser um portador sã e levar essa doença para dentro da sua casa. Nessa pandemia a gente sai muito desgastado, mas com certeza com a sensação de dever cumprido, porque a todo instante nós demos o melhor para quem nós tivemos que dar, que é o paciente. ”


6:27 - 6:34 Fachada do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.


6:35 – 6:39 Enfermeira Natália Mercúrio


6:40 – 6:53 Enfermeira Natália Mercúrio fala ao telefone


6:54 – 7:30 Sonora de Natália Mercúrio: “Eu tenho percebido que o que mudou, acho que em relação ao cuidado, a gente se cuida mais que antes. Antes a gente pensava que tal doença é contagiosa, mas eu sou uma pessoa que não é muito deprimida então dificilmente eu vou ter. Hoje, a Covid-19 não tem isso, você pode contrair mesmo não sendo uma pessoa que é muito deprimida, que não tem problema de saúde, que é jovem. Tinha gente que não tinha problema nenhum de saúde, que era jovem e que faleceu. E antes a gente falava que essa doença só vai atingir quem está acamado, quem está bem debilitado. Então nisso a gente se cuidou mais e começamos a cuidar mais uns dos outros, falando: “olha, se paramenta antes de entrar no quarto. Coloca a máscara. ” A gente se cuidou mais, então esse foi o lado positivo. O lado negativo que eu vejo é que foi uma tensão muito grande. A gente passou por um momento de pânico e teve, no início, a gente sofreu um certo preconceito e aquelas agressões em metrô, ônibus e tudo mais. Até hoje tem gente que fala: “você não tem medo da sua filha que trabalha na área da saúde? Como você faz com a sua rotina em casa na hora que você chega? Como você faz com a sua roupa? Vem direto do hospital para cá, de repente se você vai para alguma loja ou alguma coisa. ” Então as pessoas têm um certo medo, tem respeito, mas ainda tem um certo medo. Então esse lado negativo o pessoal ainda carrega um pouquinho. “


7:31 – 7:35 Funcionários do Instituto de Infectologia Emílio Ribas seguram flores


7:36 - 7:55 O funcionário do Comitê de Humanização do Instituto Emílio Ribas, Jair Fernandes Farias, entrega flores para os funcionários do na ação de valorização dos profissionais da saúde “Flores para Heróis”.


7:56 - 8:38 Sonora de Jair Fernandes Farias:
“Você tem que ser profissional, mas a gente é humano, não há como você não se sensibilizar com as histórias. Então é um drama diário que os profissionais da ponta têm que superar, e nós que estamos aqui na linha de trás, na retaguarda, temos que fazer o nosso papel. Um gesto, pequeno que seja, de atenção, para que esse profissional tenha uma ideia de que ele não está sozinho, de que o desafio não é só dele e ele se sinta acolhido, faz toda a diferença. ”


8:39 - 8:43 A fisioterapeuta Uilsa Gonçalves auxilia paciente internado no Hospital de Campanha Anhembi, em São Paulo.


8:44 - 8:48 Ala vermelha do Hospital de Campanha Anhembi, em São Paulo.


8:49 - 8:53 A fisioterapeuta Uilsa Gonçalves auxilia paciente.


8:54 - 9:02 A fisioterapeuta Uilsa Gonçalves preenche documentos.


9:03 - 9:46 Sonora de Uilsa Gonçalves:
“Os pacientes com Covid-19 requerem mais da nossa experiência, mais dos nossos cuidados, para que eles possam se estabilizar e serem transferidos, ou terem alta daqui recuperados. Eu tenho trabalhado aqui na ala vermelha onde estão os pacientes de alta complexidade, nós temos que tratar esses pacientes para estabilizar tanto a parte respiratória, saturação, posicionando eles e ofertando a melhor forma de oxigenação. Estabilizamos aqueles que devem ser transferidos para UTI, ou alguns, aqueles que tiverem melhoras possam ser mandados para as alas. ”


9:47 - 10:19 Sonora de Lívia Schunk, responsável técnica do programa Acesso Mais Seguro para Serviços Públicos Essenciais do CICV:
“O AMS é uma metodologia para reduzir e mitigar que as consequências humanitárias da violência armada afetem os serviços essenciais. E assim, promover mais proteção para você profissional e para toda a população que acessa esses serviços. Sabemos que a situação já não era fácil antes da pandemia. Mas agora tornou-se mais preocupante e pensando nisso, criamos a campanha Valorize ‘O Essencial’. Queremos reconhecer e valorizar profissionais como você, que todos os dias contribuem para minimizar os efeitos da pandemia na vida das pessoas. ”

Duration : 10m 20s
Size : 762.5 MB
On Screen Credit: ICRC or logo

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